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Mostrando postagens de Abril, 2017

Uma cega na varanda.

De que serve uma paisagem se não pode ser apreciada? A cega perguntava.
Eu não soube o que lhe responder.  Ela quando me olha nos olhos, preciso, por vezes, desviar o olhar. Ela via, mais do que muitos que sabem as cores com que me visto. Disse-me anos depois que pelo tom de voz na minha primeira palavra, eu sem querer, contava-lhe tudo. Que a minha luz é imensa.  Que ela vê o branco no som dos meus sorrisos, que o azul está no som do meu desabafo e que o vermelho lhe incende o rosto quando lhe falo do André. Mas é o preto que lhe invade o olhar, quando a tristeza que lhe fala por mim. 
Como vê as cores, se não sabe a ordem no arco-iris?  O tempo é curto, sempre curto. Eu embarco nas palavras que me proferem, como os barcos nas ondas do mar, como um músico escorre numa pauta, eu tal como eles deixo-me ir naquilo que os outros me revelam, sou como a espuma que desliza na onda.  Eu sinto, eu vou. Uma mãe será mãe, sem o saber ser. 
Já sei de que serve a paisagem!  É para enganar o cansaço…

I MM Tondela

Quanto mais aumenta a distância, mais difícil fica saber quem é que fica em que lugar, mas se continua assim, preciso de fazer atenção quando chamam ao pódio!