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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

PD #1

Filha única.

O Público lançou uma reportagem sobre os custos de uma geração de filhos únicos e as subsequentes consequências. Eu como filha única revi-me em poucos aspectos e distanciei-me dos demais. Curioso o facto de na década de 70 o governo chinês impor a lei do filho único numa tentativa de bloquear o crescimento exponencial com a justificação de incapacidade aliada a uma sobrelotação do país. Ou seja, se todos temos direito a pelo menos um metro quadrado de terreno, a palavra refugiado não existe no dicionário, muito menos no vocabulário (mas isto é outro assunto, dizem os peritos). Se no meu país já haja quem faça contas à despesa que eu provoco com a minha triste condição de ausente de irmãos (a troika está tornar-nos em matemáticos de meia tigela!), na Índia neste preciso momento, inúmeras mulheres praticam o fetocídio segundo as mesmas para evitar a vergonha a uma filha que não irá nascer, porque varão é e será sempre o primogénito rei, porque o apêndice externo vigora e dá vigor e mul…

Ontem.

As viagens fazem mossa Então se forem feitas no silêncio de uma rádio, pior ainda. A música com batida faz ligação directa ao acelerador, a música com lentidão embala o coração e as assim-assim fazem sentir a distância na pele, irritada por mais uma vez segurar longa e distraidamente o volante. O que se pensa nas viagens é igualmente avassalador. As amarguras azedam, as doçuras alimentam o coração por longas horas, as dores matam numa agoniante solidão. A espera transforma-se em pressa, a vontade de chegar contraria a necessidade de partir. E o pior ainda está para vir...o fim do dia. Ao fim do dia, o sol apressa-se na faixa da esquerda, inquieto porque tem de iluminar a outra metade do mundo (isto diz ele com o seu ar emproado de quem esteve três meses sem aparecer), empurrando-nos fortemente o mais à direita possível onde languidamente a noite nos engole. A noite engole-nos enquanto nos vomita o sofrimento alheio de quem confessa às estrelas amores inquietos, insatisfeitos que sobr…

Djisas Craiste

Tem Diogo no nome. Tal como eu.
É português. Tal como eu.
Põe travão na possibilidade de emigrar, a família vem sempre em primeiro. Tal como eu.
E segue firmemente os seus sonhos. Tal como eu.

E mora na GQ americana esta semana.

Obrigada!

Desabafo.

E eu falei. Falei com a voz calma, de coração tranquilo, mas com os joelhos a tremer, quando nos olhos dele lhe vi as lágrimas de quem finalmente vê na alma, a lama que o meu coração traz. Trazia.  Finalmente o nó desenrolou sem precisar de ser cortado. A linha saiu sem aumentar o buraco que precisou de fazer para entrar. O peito deixou de pesar, o coração esse voltou a aliviar, mais brando. Hoje em meses o sol apareceu, a filha única que sempre fui, agora partilha espaço reservado com o meu nome inscrito a bold. Porque adoptam os pais de filhos únicos o genro, se não quiseram ter mais filhos?  Há tanta coisa que não percebo, tantas incertezas são ilhas num mar incerto de maré alta, maré baixa. Não navego num barco a motor, mal remo com braços tão finos e compridos. Deixo-me levar pela maré, quando tenho a certeza por onde quero navegar. Mas o amanhã traz certezas que hoje não tenho, traz maleitas que hoje não imagino e traz dor que hoje não sinto.  Sempre fui de dizer o que sinto, s…

A minha afilhada Angelina.

A minha afilhada tem os meus traços no rosto, tem as minhas pestanas grandes e tem a pele branca como a minha. Tem um brilho no olhar intenso, como o meu, adora ir à escola como eu e adora massa com eu. Mas ela é muito melhor e mais bonita do que eu. Ela mora a 2000kms de distância, pouco falamos e nos vemos. Sensivelmente, uma vez por ano no que se resume no máximo a 3 dias. Mas eu amo-a muito e desejo-lhe o melhor que o mundo tem para oferecer! Ela teima em conhecer-me melhor perguntando à sua mãe (minha prima direita) o que é que eu gosto. Enumerando se gostava de brincar com Barbies, se também gosto de cor-de-rosa e muitas mais perguntas que sonho nas minhas noites. Ela cria diálogos comigo, enquando imaginariamente me senta entre as suas bonecas, a quem nos vai alimentado com as suas bolachas de chocolate. E eu vou ouvindo suavemente a sua terna mistura de portuguêsalemãoluxemburguês para tentar executar todos os movimento sem deixar derramar o seu chá de rosas feito com tanto a…

Virgula

Esta imagem já é repetida aqui no meu estaminé. Tenho saudades de ter tempo livre de qualidade para vir escrever aqui!