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Mostrando postagens de Julho, 2017

Abandonei a minha mãe.

Foi muito lentamente, mas abandonei-a. Hoje sei-o. Deixei de lhe dar atenção, começou por aí, apercebo-me agora. Ouvia, mas sem decorar, tal como uma viagem de carro a falar ao telemóvel, a paisagem muda, sabes que passas por certos locais, mas no fim da viagem pouco te lembras. Há pressa em chegar ao destino, mas assim que chegas mais pressa há para te dirigires à próxima etapa, a vida é mesmo assim, feita no caminho. Nunca, em momento algum, imaginei que fosse capaz de o fazer, hoje inegavelmente sei que fui, mas totalmente inconsciente.  Muito simples. Fui mãe.  A minha prioridade sempre foi a família e o que me saíu das entranhas, teve e tem de mim um amor visceral. A minha mãe já me tinha avisado que quando um filho nasce, tudo muda com o primeiro suspiro. Não é propriamente na gravidez, é no peso que se sente quando se tem um pedaço nosso em plenos braços. E esse peso não é em quilos, é em amor e sonhos. Foi tal e qual, mas para pior. Mudei eu, mudou o meu marido e mudámos os d…

Pega na minha mão que quase desmaio.

Pega na minha mão.
Sente-la quente?
Estou viva graças a ti.
Vou dizer-te o que sinto.  Cada vez que me tocas na mão
Faz de conta que pegas no meu coração.
O teu toque seria diferente?
Sería mais desprendido?
O sangue fazer-te-ia impressão? Ou achas que é como nos filmes,
que as borboletas estão no estômago,
os sentimentos no coração
e o sangue vem do cérebro.
Acredita, as ideias são falciformes.  A verdade é que já me pegaste na mão.
Bem transpirada.
Já me fizeste ficar nervosa.
Lembras-te daquele sábado em que me seguraste
à beirinha do corrimão? Mas hoje, hoje é diferente.
É como diz o Piçarra?
"Eu só existo contigo"
Não.
Eu existo para além de ti,
Ideia que fustigo.  A verdade é que o cordão umbilical só nos deu a vida,
não a tira. Antes fosse.
Morriam os meus e com eles
Eu morria também.
Se formos ver, em parte é verdade,
quem vai, leva sempre um bom bocado de quem fica.
Vamos mais além. E que fazemos nós?
Aprendemos a viver com o que resta.
Embrulhamos as memórias na s…

yGirl OST #17