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Mostrando postagens de 2017

Quando um filho mente.

Conheço-a há tantos anos como os anos que tenho de trabalho. Sei que gosta de mim, do meu trabalho e que dificilmente me trocará enquanto eu estiver ao seu dispor. Actualmente, estamos na fase da consulta anual, em que predominam as questões "Está tudo bem?"; "A família está toda ela boa?"e as respostas vão surgindo e como sou Dentista, a maioria dos meus utentes acabam por me ouvir mais do eu a eles (e ainda bem, é bom sinal!), porque eu sou uma faladora nata (metralhadora dizem alguns) e tenho sempre algo a dizer ou comentar.  O que a esta senhora não adivinhava, era que em menos de uma hora adiante, quase tudo estaría mal.  Contou-me alegremente que já tinha conseguido convencer o filho e o marido a virem às minhas consultas, que também eles, adoravam-me de paixão e que eu era muito atenciosa e carinhosa para com eles. Eu fiquei feliz, mas como atendo tanta gente não consegui identificar o XY e o YX de que me falava, mas os nomes não me eram de todos estranhos,…

La La Land (porra para o amor).

Cidade das estrelas
Luzes da ribalta
Um palco cheio de luz
Uma plateia repleta
aplausos infindáveis.

Cai o pano.
Os sons ecoam apenas na minha memória.
O brilho e o esplendor é só fachada
Quando a porta oclui
Há muito que oculta
O silêncio engole-me.
E eu não aprendi a cuspir.

Sobro eu, o meu lápis
As folhas que em breve já não estarão em branco
Há ideias, muitos sonhos e demais ilusões
Há uma cabeça cheia de tudo
E um peito sem nada.

Há uma melodia maravilhosa no ar
E eu não tenho a quem dar o braço para dançar.
Sou só eu e um sonho persistente
Tudo venci, tudo ultrapassei
Foi persistência dizem uns e não teimosia.

Louca, perdida e assustada,
Só agora perto do fim
Sei que tudo o que tenho e escolhi
Não vale nada.

E de repente já é Natal.

Em 30 anos suspeito que tive 28 Dezembros felizes, todos eles seguidinhos.  A alegria, o amor e a ternura, em 30 anos nunca falharam, começam sim a faltar pessoas. A primeira foi a minha avó Floripes, mas eu tinha 2 anos e as memórias são feitas de fotos felizes. Depois o meu avô Manuel, mas era o meu avô de fim-de-semana. Poupado nas palavras, afectos conheci-lhe poucos pelo seu jeito de ser, mas a verdade é que o meu pai ficou sem pais bem cedo e sendo o mais novo de seis irmãos, poucas palavras lhe conheço e conheci sobre este assunto, sem lhe serem feitas perguntas. Não é fácil ficar sem pais, sentir que os prolongamos na nossa vida com as memórias, os sonhos e a partilha de alguns momentos em voz alta. Depois, perdi o Pedro. Aqui o laço sentimental já escondia o forte nó que lhe tinha, porque o queria sempre por perto. A tragédia bateu-nos a todos de frente e por ser bem mais novo que todos nós, doeu mais. A minha idade já não refletia infância ou adolescência, a percepção de qu…

Quando és notícia pelo teu hobbie.

Tenho um amor sem ponto final.

Vejo como olhas para mim
Vês o bom, olhas também o pior
Mas a esse fazes STOP.
Aprendeste a dar cedência de passagem
ao que tenho de melhor.

E nisto imagino um texto em que te declaras e o
titulo que escolhes é simples:
"Tenho um amor sem ponto final".

E dizes-me vezes sem conta,
em continua perífrase
E a embater no pleonasmo
que só te falta um pouco de aliteração
para dar ênfase e harmonia
ao que sentes por mim.

Não precisas de abrilhantar a montra,
conheço bem o interior da loja e
a qualidade dos produtos
e como a validade dos mesmos
insistes que para mim é extensa
como as que vemos no corredor dos embalados.

Sussurras-me ao ouvido que é assim que vês o nosso amor,
Que o infinito existe, está estudado e até tem um símbolo universal
Mas o nosso amor, não precisa disso
Em toda e qualquer língua o nosso amor
é simples e apenas não precisa, não tem, nem terá
um ponto final.

O pirete desta manhã.

Faço muitos quilómetros de carro, há seis anos que faço mensalmente cerca de 4000 e, não estou a contar os meandros entre visitas a pais e sogros, escrevo neste momento sobre a quilometragem a que os meus locais de trabalho obrigam. Já vi muita coisa, muitos acidentes, muito atrevimento, também já tive alguns sustos e já fiz algumas asneirolas (até ao momento, são mais os mais sustos provocados por outros do que por mim). Felizmente, não tenho por hábito armar-me na maior quando faço m&rd@. Nem ao volante, nem no trabalho, nem noutras ocasiões. Assim que me apercebo da asneira, tento resolver a situação em que me encontro rápida e humildemente e, claro está, com o devido pedido de desculpas se assim o exigir. Eu sei, elas evitam-se. Mas quem é perfeito? Ora a besta que me fez esta manhã ter um susto de morte. Chamar-lhe-ei besta e não outro nome mais feio, porque acho que as mães dão sempre o seu melhor. Conduzia este veículo e a matricula era não interessa-SS-não interessa (a ma…

Sonhar com a morte.

Numa noite desta semana, sonhei que tinha morrido a minha avó Licínia. O sonho era vago, pouco coerente, mas com detalhe e pormenor. A minha mãe liga-me a dizer que a minha avó tinha morrido. Era da idade, já vinha a sentir-se mal há uns dias e que não acordou, morreu serena.  As minhas perguntas eram de total incredibilidade. "Mas da idade?! Como assim?" "Andava a sentir-se mal? Então mas não foi ao médico?!" E no meio das minhas perguntas a minha mãe responde: E o avô logo pela manhã quando se apercebeu do que aconteceu, morreu também. Foram os dois em paz. "Mas o quê? Os dois?! Mas em paz como?" E o que me lembro melhor do sonho são as sentidas emoções. A profunda tristeza e a repetição da expressão "Por favor deixem-me chorar." E chorei, chorei... A tristeza no momento da partida traz um cartão de boas vindas onde se lê saudade. Minutos ou até segundos depois, instala-se logo a saudade do que se não vai viver, do que não se vai contar, do c…

O indulgente.

Demorei a apaixonar-me por ti, bem o sabes. Já eu te tinha bem amarrado na minha teia, sem o saber - é certo, mas eu demorei. Demoro sempre, acho que é a única circunstância na vida em que me atraso propositadamente. Tenho medo das cabeçadas, a sério. Tinha. Já me tinham dado a entender que gostavam de mim e quando ia para abrir a boca, a namorada já era outra.  Não te achei graça alguma assim que te vi, nem nos dias seguintes. Parecias-me um mero rapaz franzino, albino com olhos azuis, mas demasiado claros. Inclusive, só te vi com cor de pele decente meses mais tarde, quando foste com amigos de férias para o campismo. Honestamente, só me despertaste algum interesse quando conversámos. Tenho bem presente quando te olhei nos olhos pela primeira vez e conversámos. O que não deixa de ser curioso, agora que penso nisso. Queríamos o mesmo para o futuro, mas a ambos o presente dado, foi outro. E ainda bem. Cheguei a pensar que num acto genuíno de amor, não tentaste medicina com algum recei…

Dias difíceis.

Os meus dias difíceis
caminham devagar sobre mim.
Não têm pressa.
Chegam antes do tempo
e vão embora já fora de prazo.

Chegam com aviso de recepção
E só eu os posso levantar.
Que é como quem diz
O tal fardo que tenho de carregar.

Eu faço-o, a contragosto, mas faço.
Mesmo antes da tempestade, o tempo
escurece,
dobra e depois
desabrocha.
O tempo e eu.

Curiosamente, os meus dias difíceis,
pouco o são segundo outras perspectivas...

Ouvi há pouco tempo de uma senhora
que a primeira vez que foi posta na rua
foi porque se esqueceu de comprar 1l  de leite ao avô embriagado.
Ele tinha tudo em penhora.

Isso não são dias difíceis,
são vida difíceis.
E eu não tenho nada disso, nem tinha.
E ainda bem.
Sorte a minha.

Há um novo tipo de vaidade (e grave).

Quem vagueia pela internet e que tenha uma perspectiva minimamente mordaz quer seja em sites, revistas ou jornais deparar-se-á com a nova (?) vaga de vaidade que é grave e preocupante em dois parâmetros:
1) há quem se orgulhe do que não deve;
2) porque vende e vende bem.
A dos próprios quererem contar a sua história de vida, que acaba sempre por ter uma grande tragédia à mistura, algumas delas bastante macabras e como orgulhosamente as contam. Não dá para negar. Atenção que sou totalmente apologista do direito à liberdade de cada um, daí também sentir que posso opinar. E, antes de continuar e de poderem chover pedras para o meu lado (não sou parva, embora o dê a entender a algumas alminhas), eu sou também uma contadora de histórias e serei sempre a favor do silêncio que se faz para se poder ouvir uma boa história. Mas o que me entristece é quando a narrativa sai da boca do actor principal em que orgulhosamente conta o que de pior lhe aconteceu, como quando andou (e ainda anda) moribu…

Quais os 5 textos mais lidos no blog?

1. Quase um mês sem ti. (Pode consultar aqui)
2. O meu avô teve um enfarte. (Pode consultar aqui)
3. Carta aberta a Afonso Cruz - feira do livro do Porto. (Pode consultar aqui)
4. Quando a tragédia me atingiu. (Pode consultar aqui)
5. O meu 1º pódio. Ohhhh yeahhh! (Pode consultar aqui)

1 Outubro 2017

A vida numa folha.

A metáfora da vida é uma folha de papel.
Em branco. Simples.  Começamos numa singela folha em branco, imaculada. Decidimos assim que nos apercebemos de quem somos - como queremos preencher a folha em questão. Começar logo com aprumadas linhas em réguas afiladas ou não ter de todo linhas? Passear à larga na folha, por vezes em abstracto ou sempre com uma bússola para não perder de vista as margens? Cada um decide, consciente, mas nem sempre.  Vivemos alguns anos com a folha a ser preenchida com cores, numa paleta harmoniosa ou ausente desta (há quem insista no preto e branco, de livre vontade é certo) e a folha vai-se preenchendo.  Mas todos, infelizmente em alguns é cedo demais, descobrem os momentos de perda e o dano que estes provocam em nós são simplesmente irreversíveis.   Para mim, de cada vez que há uma perda, a nossa folha é violentamente amarrotada, ficamos mais pequenos (aliás, sempre o fomos) mas a noção da nossa pequenez sobe à flor da pele, no longo arrepio que nos envolv…

Volta

Escrevi-te um poema.
Daqueles rabiscados em guardanapos de papel
Mas sem qualquer mancha de comida
Apenas muitas lágrimas salgadas.
Porque ainda não consegui morder o pastel.  Quis falar dos teus olhos azuis
O céu fê-lo por mim.
Tentei poetizar a tua pele branca.
Lembrei-me que a neve já existia.
E fui pensando em mais coisas sobre ti
Ao passo que o meu olhar turvava com a neblina.  Lembrei-me, sem nunca me esquecer,
do teu cabelo louro
Qual trigo ou joio.
Em todas as festas de baile ou sem
Eras sempre tu o rei.  Mas o coração apertado não me deixa avançar,
a tua pele suave ainda não tem comparação.
Pensei que com um bom refrão
terias tu aqui uma canção
Só título lhe ficava a faltar. Volta.
Pensei eu.
Não é um bom nome - bem o sei,
mas é um sonho meu.

Fiz uma casa no meu peito.

Fiz uma casa no meu peito
Onde sem mordomias e vergonhas
Alberguei todos os meus
Desde os mais virtuosos
Aos cravejadinhos de defeitos.

Pus a chaleira ao lume,
naquela manhã tão fria.
Tossi, preparei a voz e discursei
no melhor tom que sabia.

Disse saber que ninguém vive para sempre
Que quem ignora a morte
Não sabe a força que um abraço tem.
E que com força de vontade ou sem ela
Poderiam ali viver eternamente.

Vi lágrimas nos olhos delas,
vi rodar os rostos deles.
Talvez porque a mulher vê nascer,
E sabe nesse preciso momento,
que todo o ser um dia irá morrer.

E assim foi.
Bebeu-se o café, seguiu-se o almoço,
Lanche, jantar noite dentro, até
a hora da ceia chegar.
No fim da noite, as luzes apagaram-se.
Mas não fiquei só na escura noite.

Da escuridão fiz luz e, no meu peito
Onde antes havia uma casa cheia e farta
Hoje há um jardim repleto de flores
É ou não é dar à vida um grande coice?

Insisto em negar-me à tristeza.
Este é o verdadeiro lema.
Escrito assim, chega a ter delicadeza.
Poi…

Força de vontade - será?

As grandes vitórias, exigem grandes sacrifícios. Sempre assim foi, sempre será.  O problema é que todo aquele que quer sair vitorioso, assim que assina o papel, não sabe o quanto aquele carimbo lhe vai custar. Quem tudo está disposto a perder, honestamente muito pouco terá a ganhar.  O curioso, está no restrito grupo de quem quer ser o vencedor seja do que for, mas por mérito. Sabe que a qualquer momento a factura aparecerá. E vai pagar caro, porque serão sempre decisões difíceis. Vai com medo, mas vai. Tem vontade de baixar os braços, mas a palavra desistir não é permitida no seu vocabulário, esmorece, mas acaba sempre por aparecer e... vencer. É um pouco assim na vida de todos nós, há pouco tempo defendia que o que precisamos para superar os obstáculos e realizar os sonhos é apenas muita força de vontade (que eu sei que tenho de sobra), quem me ouvia sorriu e disse que acreditava em mim, mas:

"Sabes Patrícia, já o meu pai dizia..."

Abandonei a minha mãe.

Foi muito lentamente, mas abandonei-a. Hoje sei-o. Deixei de lhe dar atenção, começou por aí, apercebo-me agora. Ouvia, mas sem decorar, tal como uma viagem de carro a falar ao telemóvel, a paisagem muda, sabes que passas por certos locais, mas no fim da viagem pouco te lembras. Há pressa em chegar ao destino, mas assim que chegas mais pressa há para te dirigires à próxima etapa, a vida é mesmo assim, feita no caminho. Nunca, em momento algum, imaginei que fosse capaz de o fazer, hoje inegavelmente sei que fui, mas totalmente inconsciente.  Muito simples. Fui mãe.  A minha prioridade sempre foi a família e o que me saíu das entranhas, teve e tem de mim um amor visceral. A minha mãe já me tinha avisado que quando um filho nasce, tudo muda com o primeiro suspiro. Não é propriamente na gravidez, é no peso que se sente quando se tem um pedaço nosso em plenos braços. E esse peso não é em quilos, é em amor e sonhos. Foi tal e qual, mas para pior. Mudei eu, mudou o meu marido e mudámos os d…

Pega na minha mão que quase desmaio.

Pega na minha mão.
Sente-la quente?
Estou viva graças a ti.
Vou dizer-te o que sinto.  Cada vez que me tocas na mão
Faz de conta que pegas no meu coração.
O teu toque seria diferente?
Sería mais desprendido?
O sangue fazer-te-ia impressão? Ou achas que é como nos filmes,
que as borboletas estão no estômago,
os sentimentos no coração
e o sangue vem do cérebro.
Acredita, as ideias são falciformes.  A verdade é que já me pegaste na mão.
Bem transpirada.
Já me fizeste ficar nervosa.
Lembras-te daquele sábado em que me seguraste
à beirinha do corrimão? Mas hoje, hoje é diferente.
É como diz o Piçarra?
"Eu só existo contigo"
Não.
Eu existo para além de ti,
Ideia que fustigo.  A verdade é que o cordão umbilical só nos deu a vida,
não a tira. Antes fosse.
Morriam os meus e com eles
Eu morria também.
Se formos ver, em parte é verdade,
quem vai, leva sempre um bom bocado de quem fica.
Vamos mais além. E que fazemos nós?
Aprendemos a viver com o que resta.
Embrulhamos as memórias na s…

yGirl OST #17

Julho está a chegar.

Pouco falta para o teu aniversário e preciso escrever sobre o que a tua saudade provoca em mim.  Sinto a tua falta, todos nós sentimos. E sem explicar como, o tempo foi passando e julho está a chegar. Gostava de te dizer que são mais os dias bons que os maus, mas estaria a mentir. No mar da saudade, insistimos em nadar, quando na realidade, sem rumo e desorientados procuramos a bóia do salva-vidas (que não há). E flutuamos, boiamos e às vezes deixamo-nos ir ao sabor da corrente.  Casámos e eu andei sempre de mãos dadas contigo, pensámos sempre em ti, falámos algumas vezes em ti, mas que dizer mais em palavras? A festa passou-se sem rei, porque faltas sempre tu. Mas ao mesmo tempo, sempre presente, sempre a sorrir e até o fixe não faltou! Tive um casamento muito feliz, correu tudo dentro da normalidade, sem exigências excêntricas e stresses estúpidos. Só fiz um pedido muito sério: que não tocassem a nossa música, eu não iria aguentar. E não tocaram. Mas ironias do caraças, aquilo pass…

A escrita só por aqui é que anda parada.

É importante dar tempo ao tempo e aproveitar os intervalos.

CPT-SC

Um dos meus muitos hobbies.

Uma cega na varanda.

De que serve uma paisagem se não pode ser apreciada? A cega perguntava.
Eu não soube o que lhe responder.  Ela quando me olha nos olhos, preciso, por vezes, desviar o olhar. Ela via, mais do que muitos que sabem as cores com que me visto. Disse-me anos depois que pelo tom de voz na minha primeira palavra, eu sem querer, contava-lhe tudo. Que a minha luz é imensa.  Que ela vê o branco no som dos meus sorrisos, que o azul está no som do meu desabafo e que o vermelho lhe incende o rosto quando lhe falo do André. Mas é o preto que lhe invade o olhar, quando a tristeza que lhe fala por mim. 
Como vê as cores, se não sabe a ordem no arco-iris?  O tempo é curto, sempre curto. Eu embarco nas palavras que me proferem, como os barcos nas ondas do mar, como um músico escorre numa pauta, eu tal como eles deixo-me ir naquilo que os outros me revelam, sou como a espuma que desliza na onda.  Eu sinto, eu vou. Uma mãe será mãe, sem o saber ser. 
Já sei de que serve a paisagem!  É para enganar o cansaço…

I MM Tondela

Quanto mais aumenta a distância, mais difícil fica saber quem é que fica em que lugar, mas se continua assim, preciso de fazer atenção quando chamam ao pódio!

Esqueci-me da porta aberta.

Esqueci-me da porta aberta
e mal me apercebi, a tristeza entrou.
Não bateu, não pediu licença.
Mas um pormenor importante:
Para não se fazer notar, a porta aberta ficou.

Fiz de conta que não a vi,
Ela cuscou o corredor.
Enfeiticei-a com o meu olhar cabisbaixo
Ela instalou-se no sofá.
Deixei-a sentir o bater do meu coração.
Ela vestiu o meu roupão.

E quando estava prestes a mostrar-lhe a cor dos meus olhos
que tanto poeta insiste ser o espelho da alma
A vontade de ser feliz levantou-me o olhar
E revi a porta entreaberta
Fui curta, grossa, mas educada:
- "Por favor saia, não é bem vinda aqui!"


Ela demorou, mas saiu.



Os meses com M.

Apaixonei-me por março e por maio.  Fiz fé que em 12 meses, tinha dois por inteiro para mim, que eram os meses começados por émes, tal como a candura das laranjas serem boas nos meses sem érres, que mais alegria me davam.  Mas não, este ano fez-se luz. Março dá cabo de mim, tareia em cima de tareia, podridão em cima de mau cheiro, dor, tristeza. Tudo aquilo que na maioria das vezes não tenho nas redondezas (e ainda bem). Apercebi-me que a minha pior fase anual, é em março. A tal crise que na infância tinha no segundo período, resiste e persiste.  Espero, honestamente de forma muito pouca ansiosa que março acabe. Sim, nunca fugi à tristeza, tal como quando encontro a alegria, caminho com ela, lado-a-lado. E vai daí que este mês, tem sido um grande mês em termos de aprendizagem. Literalmente.
Espero que maio seja melhor.




E como vão as corridas?

Cabrões do século XXI

Eu tive na escola secundária uma grande paixão, mas foi uma daquelas paixões assolapadas com direito a pack completo: ele terminava as minhas frases, gostávamos das mesmas músicas, cores, sei lá, a memória já atraiçoa tudo aquilo que não fiz questão de memorizar. Mas essa mesma paixão da secundária, foi também a minha maior desilusão. Não que ele não fosse ao perfeito, aos meus olhos ele era-o; o pior é que ele não era nem edição limitada, muito menos original.  Na altura achava eu e umas quantas mais que ele era o "the one!". Mas a questão de ele ter sido a minha maior desilusão prende-se apenas com este aspecto: ele fazia-me sentir que eu não era suficientemente boa para ele. Não sei se era intencional, nem quero saber, mas agora olhando para trás é ignóbil a ideia dele de ora falar-me a todo o momento, ora passado meses deixava repentinamente de me falar. Não respondia às mensagens, não atendia o telemóvel, nem os parabéns me dava, na altura do hi5, lá estava ele todos o…

yGirl OST #16

Don't you ever forget
to treat others the way you want to be treated.

Amar na diferença.

Um relacionamento longo, é como comer uma francesinha todos os dias, iguaria que eu adoro. Já sei identificar o sabor, sei como é confeccionada, o que mais gosto e o que menos aprecio, se bem que o molho (esse agente secreto) pode oscilar: o medo é sempre o mesmo, irei enjoar? Ora bem, já sei o que ele pensa, o que ele vai dizer, como ele age ao conversar, mas tal como o molho (o tal principal ingrediente da francesinha) há flutuações. Essas mesmas que me fazem vibrar de felicidade se forem boas e as que me provocam agonia, se forem menos boas, em estado puro de tristeza, pelo menos na minha perspectiva. E é assim que eu vejo os relacionamentos longos. O meu já celebrou dez anos. No início é tudo muito bonito, as horas quando estamos longe não passam, as em conjunto voam, o primeiro beijo, a primeira ida ao cinema, tudo aquilo que me provoca "borboletas no estômago" de certa forma já lá vai. A derradeira paixão, dá lugar ao amor, a incerteza perde o prefixo e bem, tudo o qu…

Balneários - um estudo epidemiológico.

Este ano defini como meta realizar um triatlo.  Como tal, os treinos de natação entraram com força na minha rotina diária, antes de iniciar a bicicleta. Eu já sabia dar umas braçadas, mas honestamente quero nadar bem e a bom ritmo para aguentar bem o que vem a seguir. Treinos esses, acompanhados de presenças assíduas nesse mundo dos balneários. Faço três treinos semanais e em horários bem distintos, o que me deu uma boa margem para o estudo epidemiológico que tive necessidade de realizar e que hoje (aqui) em primeira mão, apresento os resultados preliminares. No primeiro treino da semana, a média de idades ronda dos 10 aos 14 anos. A maioria são garnisés, os décibeis a que falam são sempre exagerados, movem-se no balneário como as nuvens cinzentas carregadas de chuva, é tudo em grupo, na estrutura física são cada vez mais magras e com cabelos  muito compridos e difíceis de lavar, sem a máscara para o efeito. Têm quase todas o telemóvel gigante na mão direita, bebem todas das bebidas …

A Francisca voltou.

Em Janeiro de 2014, conheci uma menina e uma mãe muito especiais, falei delas aqui. Ontem revi a Francisca. Confesso que os anos foram passando e não reconheci a Francisca à primeira. Mas posso afirmar que me deslumbrei por ela novamente. A Francisca veio com o pai e eu honestamente no meio de tanto utente, não sei de cor quem é casado com quem, muito menos, que a Francisca que tinha à minha frente era a mesma bébé de há dois anos.  Basicamente foi isto, a mãe adoptiva (tia na vida real), decidiu em meia hora ficar com uma sobrinha em pleno nascimento, sem telefonar ao marido, às filhas... Recupero aqui um excerto: "Sabe, só tive 30 minutos para decidir. A minha ginecologista telefonou-me numa tarde a dizer que precisava de me ver no Hospital que era um assunto urgente. Só tive meia hora para decidir e decidi sozinha. Meia hora! A minha cunhada engravidou e guardou segredo de tudo e de todos. Eu mal a via, para mim e para todos foi uma total surpresa. Engravidou e ia dar a bebé p…

yGirl OST #15

O meu desencanto pela vida.

Cedo aprendi que o dinheiro não traz felicidade, mas ajuda e ajuda imenso. Quem tem dinheiro, chega mais rápido, tudo alcança muito mais rápido. Estava a meses de terminar a faculdade, sem qualquer emprego no horizonte, aquele nervosismo da eminência do fim começava a surgir quando um colega me dirige a célebre frase: "Quem o tem, é quem o joga!" numa conversa sobre um futuro emprego ou ficar na faculdade a tirar uma pós-graduação, ou até como monitor. E infelizmente, tive de concordar com ele, sem grandes argumentos no momento, mas para mim, talvez nesta rebeldia que trago sempre comigo, mantive-me fiel à minha suposição de que ele estaria errado. Que o carácter ainda é o que mais importa, que ainda ganha ao dinheiro, mesmo que seja em menor frequência, mas ganha. Apercebi-me, que uma vida feliz, não é uma existência sempre feliz. Que são poucos os que conseguem ser optimistas, arregaçar as mangas e esperar pouco da vida. Esforçando-me a triplicar na proporção do que ansei…

A Rihanna fumou, a Aurea bebeu e eu... bem, eu fui criada pela Licínia.

A Rihanna começou isto tudo. É ela a culpada! Diz ela que gosta da forma como ele a magoa, mas o que ela ama mesmo é o modo como ele lhe mente. Está lá na música.  Até aqui, tendo ela declarado o seu amor pelo Chris Brown em frente à Oprah depois de ele lhe ter esmurrado a cara, pensei que ela estava claramente a agir em conformidade. Infeliz, cega, mas estava. Ela vem dos Barbados, ou seja já traz muita água pelas barbas e depois, aqui para nós, aquela tatuagem entre as mamas em homenagem à sua avó (Oi?) que insiste em mostrar nas suas partes de cima transparentes. Sim, porque não lhe vou chamar camisolas, tem de significar pelo menos que é mulher com muito calor. 

Depois aparece-me a JLo. Diz que não, não lhe vai tratar da roupa, porque não é mãe dele. Sim, meu menino, é mesmo isto. Não é mãe dele, mas tem idade para o ser, mas só no CC, a idade mental é quase de certeza muito inferior. (Ups! Isto não era para dizer?) Que já está na altura de ele chegar ao emprego a horas e que che…

A ausência.

Se soubesses como é difícil viver sem ti,
vinhas ver-me e apertavas-me o rosto
Com as tuas mãos,
como sempre fizeste.

E sorririas.
Dir-me-ias que estavas bem,
que estavas feliz e que nada havia a temer.

A tremer e com a voz embargada ia repetir-te a frase:
"Eu tenho tantas, mas tantas saudades tuas!

E sorririas.
Dir-me-ias que também as tens
que estás tranquilo e que a vida tem de seguir em frente.

Com nó na garganta, dizia:
"Não sei mesmo, como nos temos aguentado, mas temos."

E sorririas.
Dir-me-ias que também estás a conseguir
que estás sereno e que é o amor que nos faz
mais fortes.

Tal como tu.




2ª edição de Pezurala Sençad, a fada inexperiente.

Resoluções tributárias de 2016.

Dia de reis passado, ano novo preparado. Não é uma citação de outrem, é mesmo um original meu.
Vamos lá então a avaliar as resoluções do ano passado!
1. Terminar o PhD. NOT!  2. Publicar o meu livro (shiuuuu, é segredo!). CHECK! 3. Publicar 3 papers (no mínimo!). NOT!  3. Correr uma MM em menos de 2h. CHECK! 4. Correr uma MM internacional. CHECK! 5. Correr a M do Porto a 6 de Novembro 2016. CHECK! 6. Correr 3 a 4 vezes por semana/mais rápido! CHECK! 7. Ler 1 livro por mês! NOT!Só consegui ler 10 livros! Foi por pouco! 8. Ir a Itália. CHECK! 9. Pesar 58kg! CHECK! 10. Continuar a ser feliz! CHECK! 

No ponto 10 refiro que o ano só não foi espetacular, por causa de uma enorme tragédia, os meus sabem.
PS: isto não interessa a ninguém a não ser a mim mesma, mas ao tornar a listagem oficial, dou-lhe sem dúvida alguma outro sustento, até fiquei nervosa!

O menino dele.

Conheci o Fernando como um alvo conhece uma bala, veio direitinho a mim e a dor foi cada vez maior, mesmo no peito, com tiro certeiro, sem defeito. Só hoje consigo escrever sobre isto. O Fernando tem 58 anos e foi pai aos 26. Tem dois filhos, o Jorge e o Luís, hoje com 29. O Jorge aos 4 meses foi diagnostico com fibrose quística, o Luís é aparentemente saudável, o Jorge faleceu aos 16. Os mesmo anos em que outros respiram por ele. O Jorge sempre foi um menino muito carinhoso, muito beijoqueiro, de muito mimo. Gostava de cuidar e acarinhar os seus, especialmente quem cuidava dele, o pai disse-me que era o menino da mamã. A vida dele nunca foi normal, frequentou pouco a escola, esteve a maior parte do tempo internado, em casa estava quase sempre deitado, sentia-se muito cansado; mal saía, mas era um menino optimista e em casa a harmonia e a alegria eram constantes. A longa noite do Jorge veio no alto dos seus 16 anos, os pulmões não resistiram e o Jorge adormeceu eternamente.

- "Sa…