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Mostrando postagens de Agosto, 2016

Portugal é... campeão europeu (assim será por 4 anos).

Façam um favor a vocês mesmos e vejam isto, nesta ordem.
Obrigada Guilherme Cabral, mesmo.

Senhor carteiro.

Imagem: http://diariodigital.sapo.pt/
Traz na algibeira a esperança
De quem ainda recebe pelo correio
o fim do mês.

Viaja de porta em porta
Na ausência dos proprietários
Deixa a correspondência.

Vivi de frestas, de ranhuras
Sabe bem, que em algumas portas
Povoam amarguras.

Conhece nomes de cor,
às vezes mais do que um
Sem o rosto conhecer.

E segue de janela em janela,
De reflexo em reflexo,
Dando a ideia que tudo permanece

Enquanto ele simplesmente,
envelhece.

E vai de roda, vai o mundo girando.
Ele entrega cartas, quando os outros veem sonhos.

Para mim, antes um pequeno sonho,
Que uma filhó grande.

O meu avô teve um enfarte.

Preciso de mais tempo, afinal precisamos todos.  O meu avô teve um enfarte. Penso em cada risada, cada abraço, sinto a efemeridade da vida.  Ainda não foste e sei que não vais a lado nenhum.  Mas o meu tapete, pode ser a tua casca de banana.  Tu cais, eu caio.  Penso também nas vezes em que insisto em dizer que gosto de ti e no "Eu também." proferido numa voz embargada que ouço no retorno.  Sei que o digo várias vezes, mas mesmo o vários em prol do anos, pouco significará.  Mas enquanto vivos,  fazemosassim por defeito. Antes ficar algo por dizer, do que muito por viver.  Preciso de mais tempo, afinal precisamos todos.  O meu avô teve um enfarte. Logo ele que me ensinou a brincar, que tanta merenda partilhou comigo, que me ensinou a ver a beleza do Carnaval. E sei que nada é para sempre, sei que a nossa hora ainda não chegou. Mas a saudade do que não viveremos juntos já existe.  Eu sei, tu sabes, todos nós sabemos. Ainda não percebi bem porque me foi dado a sorte de poder a…

Em cada regresso de férias, a minha caligrafia muda.

Não sei se é o bronze que pesa na mão, se a preguiça ficou colada a quem nada escreveu, se é natural em mim. Mas tal como a caligrafia muda, também eu gostava de seguir em frente, mudada, por cada periodo de ausência, um bocadinho diferente - para melhor.
Desapegar do supérfluo.
Fluir, rumo à leveza do ser.  Mas sou antagónica, trago em mim uma forte alegria em viver, quase sempre de sorriso aberto, de mão dada a uma solidão que não me assusta, só traduzida no som do teclado dedilhado. Ligo a música, deixo de a ouvir (e de me sentir) e ouço apenas as teclas debaixo dos meus dedos. E não tenho mãos a medir, só dedos muito compridos. E é nesta solidão que mato as saudades que tenho de mim mesma. Quando sozinha, deixo de me sentir e voo. Um dia partirei, só eu e a mochila. Sem dúvida, voltarei muito diferente. Mais em paz. Afinal, nos nossos sonhos, não é regra geral existir a nossa outra metade. Afinal, o melhor bolo é aquele que já foi fatiado e parcialmente comido, não o que ficou po…